Crônica

Ruídos

Às vezes surgem ruídos no carro que são difíceis de ser identificados. Tanto suas origens, quanto o que podem representar.  Mesmo para motoristas experientes. E muitos desses ruídos significam algum tipo de defeito.

Aquela máxima “uma coisa leva a outra” deve ser lembrada nesses casos, pois um defeito não eliminado costuma produzir mais.  Isso, porque peças e componentes de uma máquina trabalham em conjunto, sendo interdependentes em relação ao sistema ao qual pertencem.

 De uns dias para cá, o carro de Pécias estava emitindo um ronco. Por causa de uma intercorrência na semana passada, suspeitou-se que fosse um problema no câmbio.

Tudo começou devido à ineficiência da embreagem, decorrente de um grande desgaste do disco. Disco é um dos componentes da embreagem, a qual tem mais o platô e o rolamento.  O veículo quase não andava mais.  O motor dava muitos giros, mas pouco era transmitido para a tração das rodas. 

Por isso, Pécias telefonou a um mecânico.  E este o orientou (ou o desorientou?) a jogar um pouco d’água no orifício que há entre o motor e o câmbio, cujo propósito era o de atingir-se a embreagem para aumentar a aderência entre o disco e o platô, a fim de que o carro pudesse chegar à oficina. 

 Porém, o veículo de Pécias não tinha tal orifício para a embreagem, e sim para o câmbio.  Desse modo, a água jogada foi direto para o compartimento de óleo. Este erro, só depois fora corrigido pelo mecânico, quando fez a troca da embreagem.

Mas foi daí que veio a desconfiança de Pécias quanto à origem do ruído. Por causa da água, que por um tempo ficou misturada ao óleo dentro do cárter, pensou que houvesse alguma avaria no câmbio. Até que, ao retornar à oficina, dessa vez de outro mecânico, ficou sabendo que o problema do ronco tinha outra origem.

Um rolamento de roda traseira estava com jogo muito grande; ao ponto de quebrar-se, se não fosse imediatamente trocado. E a consequência seria um travamento ou um desprendimento da roda, que,  provavelmente, ocasionaria um gravíssimo acidente.

Com esta experiência, Pécias chegou a uma conclusão. A de que, diante de ruídos diferentes dos que fazem parte do funcionamento normal do veículo, o melhor não é andar assim mesmo para, com o tempo, tentar-se descobrir o que é.  Mas, sim, recolher o carro, conforme o que se esteja suspeitando, e levá-lo à oficina correspondente – mecânica, elétrica, funilaria, etc. – para a solução.  Pois, o melhor ruído, às vezes, é exatamente aquele que não existe.

 

JERÔNIMO, J.R. Peri & Pécias no Trânsito - Crônicas, Guarulhos, Ed. do Autor, 1ª edição, 2018, p 50.