É vidência ou evidência?

Jefferson Luz


29.12.2011

É sabido que, nos dias atuais, muitas mulheres têm ocupado cargos de chefia e, conforme as pesquisas apontam, o mercado está mais receptivo a elas.
O que tem levado mulheres a assumirem estes postos?

Diariamente, vivemos situações/problemas que nos fazem pensar, que nos desafiam de uma maneira que perdemos parte do nosso dia tentando solucioná-las e, em muitas vezes, não alcançamos sucesso pleno.
Passado tais problemas, ao refletirmos sobre a forma com que aconteceram, as soluções apresentadas, as decisões tomadas e as consequências pós-fato, percebemos que estes poderiam ter sido evitados.  
De que forma seria possível evitá-los?
Se estivéssemos atentos aos “rastros” que tais problemas deixam antes mesmo de acontecerem. Aí está a resposta para a primeira pergunta. O segredo das mulheres encontra-se na atenção dada aos mínimos detalhes.

A percepção e importância dada aos detalhes permitem a elas uma antecipação dos fatos. O que muitos consideram um “sexto sentido” das mulheres é apenas uma análise atenciosa e minuciosa de fatos que permite prever o desfecho de tal situação. Alguns homens também possuem essa característica.

De que modo as mulheres conseguem dar a atenção devida a estes detalhes que, para os homens, muitas vezes são imperceptíveis?
Antigamente, elas eram criadas para cuidar da casa, dos filhos, para cozinhar, lavar, passar, entre outras coisas.  Quem nunca presenciou sua mãe colocando a água pra fazer o arroz e, enquanto esta fervia, lavava os legumes, picava o alho, ia até a lavanderia, tirava a roupa do tanquinho, colocava na máquina de lavar, voltava pra cozinha, refogava o arroz e cozinhava-o, temperava o feijão, temperava a carne e colocava na panela; ligava o chuveiro para que os filhos pudessem tomar banho, enquanto isso dava um pulinho até a cozinha e preparava a salada, fazia o suco, voltava para o banheiro e dava banho nos filhos; tirava-os do banho, levava até o quarto e secava-os; corria na cozinha pra olhar as panelas e ia até a lavanderia pra colocar amaciante nas roupas que estavam na máquina; voltava para o quarto e vestia as crianças, ia para a cozinha e lavava a louça que havia usado para fazer a janta; arrumava a mesa e chamava toda família para jantar?  Tudo isso ao mesmo tempo e com maestria.  Quem nunca pensou que as panelas, os talheres, os alimentos, os temperos e todos os outros acessórios da casa tinham vida própria?

Com todo esse talento para lidar com diversas situações, a mulher resolveu alçar voos mais altos.  As pias de louça, os fogões, os tanquinhos e as máquinas de lavar, os ferros de passar e os conflitos familiares deixaram de ser o principal foco. Os computadores, as máquinas industriais, os carros, os caminhões, os ônibus e os aviões, além dos conflitos empresarias, passaram a fazer parte de suas rotinas.

Diante desta nova realidade, começou outro problema, a “desconfiança” por parte dos homens. “Como podia alguém que, até então, só ‘sabia’ lidar com problemas domésticos, achar que conseguiria desenvolver atividades voltadas para homens?” Contudo, mais uma vez a mulher mostrou que podia se superar e, com muita delicadeza, dedicação, sabedoria, força de vontade e muito estudo, provou o seu valor. A “desconfiança” transformou-se em apreensão.

Os homens passaram a olhar para as mulheres como rivais dentro do mercado de trabalho. Essa rivalidade fez com que elas fossem discriminadas, ficassem isoladas e abafadas.  Mas isso só as fez mais fortes e perseverantes.  Elas foram “obrigadas” a provar, mais uma vez, que tinham capacidade, qualidade e que iriam lutar para conquistar determinadas áreas.

O “sexo frágil” encarou os obstáculos impostos e obrigou a classe masculina a se render ao espírito trabalhador, batalhador e vencedor feminino. O reconhecimento foi inevitável após tantas provas de superação. Superação essa que pode ser considerada o grande diferencial da mulher para explicar tamanho salto dentro do mercado de trabalho, além da constatação de evidências que passam despercebidas pelos homens. Com isso, outra evidência vem nascendo e torcemos para que vire realidade.

O reconhecimento, por parte dos homens, mesmo que um tanto tardio, está cedendo lugar para a admiração e, esperamos que assim seja, posteriormente para o incentivo colaborativo. Queremos que, nas gerações atuais e nas novas gerações, o homem/esposo observe que a mulher/esposa deixou de ser apenas uma excelente dona de casa para se transformar na excelente secretária, professora, administradora, motorista, engenheira, médica, dentista, jornalista, vendedora, cozinheira, doméstica, mecânica, entre outras e que passe a incentivá-la e a colaborar para que ela possa construir uma carreira sólida e de sucesso; pois sabemos que, se tiver que escolher entre ter uma família e uma carreira, a mulher sempre escolherá a família, mesmo mostrando que pode desempenhar as duas funções com grande êxito.

Os paradigmas estão sendo quebrados, a ponto de as mulheres dividirem as responsabilidades financeiras domésticas. Esperamos que, nas próximas gerações, os homens passem a dividir as responsabilidades do lar.


Jefferson Luz é Técnico em Análises Clínicas, Administração, escreve peças e atua amadoramente na igreja, desenvolve atividade voluntária a ONG que cuida de crianças carentes e a ONG que cuida de famílias de alta vulnerabilidade social, com palestras sobre Gripe A, Higiene, DST.
Enviado pelo autor em 23.12.2011

(O texto publicado neste espaço é de responsabilidade e direito de seu autor e não precisa, exatamente, refletir a opinião deste site.)


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