Recomeçar

Ivan da Cunha


08.10.2011

A ninfa Eurídice, que fugia de uma perseguição, pisou numa serpente venenosa que a picou levando-a imediatamente ao reino dos mortos. Seu marido, Orfeu, que era um artista insuperável ficou inconsolável. 

Ele que com seu canto era capaz de pacificar os animais mais ferozes e as guerras mais ferrenhas, entregou-se à dor. Fugira do convívio humano e em sua solidão só conseguia pensar em Eurídice.

Em um momento de lucidez decidiu recuperar sua amada a todo custo e resolveu descer ao reino das sombras. Ecoando a música de sua lira comoveu a todos os habitantes da região sombria e conseguiu abrir passagem até os deuses daquele lugar infernal, Hades e Perséfone.

Comovido, Hades concedeu, então, que Orfeu levasse Eurídice de volta à vida, com uma condição: na ida em direção à luz do dia, ele não deveria, de maneira nenhuma, olhar para trás antes de deixar o mundo das sombras.

Feliz e radiante pelo resgate da amada, Orfeu começa a regressar daquelas regiões escuras percorrendo caminhos entre trevas e névoas espessas.  Finalmente a luz se aproximava apontando o final daquela região e num momento de descuido e descontrole de suas emoções, Orfeu olha para trás.

Só lhe resta a dor de ver Eurídice desaparecer e por todos os seus dias, sem descanso, Orfeu cantou seu amor por Eurídice, que perdera para sempre num descuido fatal.

Esta história da mitologia grega nos permite profunda reflexão sobre a forma de enfrentamento de nossas lutas diárias.

Na vida, assim como Orfeu, somos chamados inúmeras vezes a enfrentar situações das mais difíceis. Se nos entregamos à dor, passamos a viver como escravos, atados aos grilhões da solidão. 

A vida, porém, é um eterno convite à esperança e ao recomeço para as criaturas. Mas recomeçar não é simplesmente seguir em frente. Ao aceitar este convite temos que descer as trevas interiores e apaziguar nossos sentimentos, resolver nossas dores, e buscar na fé raciocinada, que é luz diante dos momentos mais sombrios, respostas que nos orientem a caminhos mais felizes.

Ninguém pode recomeçar sua jornada sem antes trabalhar sentimentos em desajuste. Será um engano, uma mera ilusão onde tentamos enlouquecidamente dizer a nós mesmos que tudo está bem. Porém como Orfeu, instigados pelos conflitos emocionais, em algum momento olharemos para trás e virão à tona as situações de outrora que ficaram escondidas sob o tapete da alma, colocando tudo a perder.

Resolvendo o passado estaremos nos preparando para um futuro mais feliz!

Pense nisso!

Venha debater estes e outros assuntos no blog do autor: http://ivandacunha.wordpress.com
No BLOG você também encontra a coletânia de textos do Boletim Espírita "O Homem no Mundo"
Para indicar este boletim a um amigo envie um e-mail para: icunha@uol.com.br
Enviado pelo autor em 06.10.2011

(O texto publicado neste espaço é de responsabilidade e direito de seu autor e não precisa, exatamente, refletir a opinião deste site.)


Envie seu Comentário

 

Nome: 
E-mail:  
Ao enviar seu comentário, automaticamente você está autorizando sua publicação,
que poderá ocorrer ou não, conforme critérios ético e moral.