A robotização humana

Ari Carlos da Rocha


04.08.2013

Consumismo desenfreado, globalização e robotização humana, são assuntos interessantes para se refletir quando o tema é ecologia e meio ambiente. Será que estamos todos virando máquinas humanas? A máquina que deveria ser uma simples ferramenta para facilitar a vida está ganhando em todos os lugares o "status" de modelo de eficiência. Homens e mulheres, máquinas com seus horários e suas metas. Toda máquina tem sua precisão, mas não tem a qualidade humana do sentir, se desgasta com o uso, ou seja, tem um tempo de vida útil antes do descarte. Com o ser humano não pode ser assim!

A admiração inconsciente pelas máquinas é tanta que nos percebemos às vezes agindo como uma delas ou fascinados por um racionalismo extremo como se esta fosse a maneira pós-moderna de agir em sociedade.

Por maior que seja este encantamento, não se pode permitir que simples máquinas determinem o modo de vida das pessoas, a ponto de se negligenciar os relacionamentos humanos.  A opinião de pessoas ao vivo, a troca de conteúdos, a discussão pura e simples de ideias se reveste de uma complexidade ímpar, que está sendo perdida nas grandes cidades.

Pesquisas recentes demonstram que o brasileiro está falando menos em seus relacionamentos do dia a dia.  As terapêuticas conversas entre amigos, na escola, ou em casa com a família, estão sendo substituídas por programas televisivos sensacionalistas, videogames, redes de amizade virtual etc... De toda a parafernália eletrônica a televisão é sem dúvida a que mais influi no comportamento das pessoas de forma alienante em quase todos os sentidos.  A meu ver, portanto, a grande massa de indivíduos que poderia usufruir de uma qualidade de vida autêntica, refletindo sobre a vida, repensando seus conceitos e discutindo a sua cidadania com outros cidadãos vive mergulhada em um mundo de sonhos, fantasias e pesadelos, uma verdadeira “matrix” oferecida pela nossa alienante programação televisiva.

Nas redes sociais as estratégias de vendas antiéticas estão cada vez mais sofisticadas incentivando o consumismo irresponsável, vender e comprar cada vez mais, independentemente da qualidade do produto. Hoje em dia você vai a uma farmácia e o balconista tenta lhe vender remédios similares aos que você está pedindo.  Dizendo serem melhores e até mais baratos. “é promoção!”... Mas, o que está por trás deste ato? Laboratórios que oferecem um lucro maior pela venda daquele produto; e sem percebermos nos tornamos vítimas de mais uma destas modernas técnicas de vendas, ou da velha maneira de pensar que ainda tem força no Brasil de que se deve “levar vantagem em tudo”... Precisamos refletir bastante e nos moldar a culturas menos consumistas e mais preservacionistas, enquanto há tempo.

 

ARI CARLOS DA ROCHA é Sociólogo, pela USP, Professor e Diretor da UNEGRO (União dos Negros pela Igualdade) de Guarulhos.

Saiba mais sobre este autor, no site www.leguarulhos.com.br

(O texto publicado neste espaço é de responsabilidade e direito de seu autor e não precisa, exatamente, refletir a opinião deste site.)

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