Outubro dos professores

Ari Carlos da Rocha


22.10.2013

Professoras e professores são as luzes da sociedade e sofrem também por isto, não podendo levar o bálsamo do conhecimento a todas as pessoas que dele necessitam. O professor é o médico da alma, enquanto a ignorância é a doença contagiosa que mais afeta o nosso país. Eles sabem que cada brasileiro que fica sem escola, fica também sem a maioria das chances de ter uma vida digna e, dificilmente, podem escapar dos grilhões da pobreza em todas as suas formas de expressão.

É ilusão achar que tudo depende só dos professores, não podem resolver sozinhos todos os problemas do mundo. Sabemos que na raiz das soluções está, sem dúvida, o desenvolvimento da educação e da cultura, mas isto depende também de outros setores importantes da sociedade, como o Governo, os Políticos e os empresários. Depende ainda da conscientização dos próprios alunos que se tornam fator muito importante. Se dependesse só de nós, tudo já estaria resolvido há muito tempo.

O professor sabe e tem consciência, embora sofra por nada poder fazer a respeito, que nem todos podem ser beneficiados pelo conhecimento, que muitos brasileiros perambulam neste momento pelas ruas, desamparados pela sorte, principalmente por falta de estudo e cultura que os liberte das trevas da ignorância em que estão envoltos. Os brasileiros que não tiverem acesso à escola, de alguma maneira poderão também vencer na vida. É mais difícil para eles, mas nada é impossível. Dizem que Deus é brasileiro e, o importante para nós é a consciência tranquila pelo esforço realizado.

À medida que vamos estudando, vamos esquecendo nossas antigas professoras, luzes do passado de nossas vidas que aos poucos vão se apagando, porém o conhecimento que nos transmitiram permanece como colunas importantes na construção do nosso caráter.

Nada está perdido se o ideal permanece. Leva tempo, sacrifício, muito esforço e dedicação para que o espírito da harmonia, da união, da Justiça Social e do desenvolvimento se instale definitivamente entre os indivíduos. Se a maioria não esmorecer, continuar "lutando o bom combate", sem dúvida um dia chegaremos lá. Afinal de contas outros brasileiros estão nascendo a cada dia com os mesmos ideais e engrossando as fileiras daqueles que buscam o desenvolvimento e o progresso geral a qualquer custo.

A esperança permanece, pois continuam a surgir seres humanos com a nossa vocação. Claro que ainda falta reconhecimento, inclusive por quem deixa os seus filhos aos nossos cuidados, mas o que não pode faltar é luta.

 

ARI CARLOS DA ROCHA é Sociólogo, pela USP, Professor e Diretor da UNEGRO (União dos Negros pela Igualdade) de Guarulhos.

Saiba mais sobre este autor, no site www.leguarulhos.com.br

(O texto publicado neste espaço é de responsabilidade e direito de seu autor e não precisa, exatamente, refletir a opinião deste site.)

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