A mística Guarulhos

Ari Carlos da Rocha


24.02.2011

   

Todo ser humano urbano vive como que perdido em meio à “selva de pedra” da cidade grande, tanto quanto o homem do campo, o habitante de grandes metrópoles, como Guarulhos, vive também cercado de mitos e superstições que passam com o tempo a ter uma influencia definitiva em seu destino. 

Muitos não passam por baixo de escadas, fogem de gatos pretos para que ele não lhes cruze os caminhos, mudam de calçada quando avistam um “despacho” e, logicamente, por causa de tudo isto lotam as igrejas de todas as denominações para conseguirem aquela ajuda extra dos santos, dos anjos, dos orixás, dos espíritos etc., quiçá até de todos eles, e até do próprio Deus. 

As mulheres, inclusive pela fragilidade natural tendem a serem mais místicas e inclinadas a solicitar a ajuda do astral, horóscopos, cartomantes, e são, sem dúvida, as que mais lotam as igrejas para solicitar ajuda extra às suas dificuldades cotidianas. Ser mística é qualidade. É preciso acreditar no que não se vê. Acreditar no sonho para que ele se realize. 

O que é certo é que, tanto homens quanto mulheres acalentam sonhos que os afligem e que lhes tiram o sossego e os move e os faz saírem de casa, enfrentar desafios e os perigos de ambientes hostis para que possam se aproximar cada vez mais desses objetivos. 

O mais natural dos sonhos é constituir família, sair da dependência dos pais, ser amado (a) e deixar descendência. O instinto de preservação da espécie é algo muito enraizados em todo ser humano. 

Bem, a natureza faz com que em um dado momento na vida o homem saia à procura dos seus sonhos, e a mulher espere que o homem dos seus sonhos apareça. A mulher é sempre receptiva e o homem sempre ativo. É o homem que sai a procura das coisas, embora esse aspecto seja muito relativo principalmente nas grandes cidades onde as mulheres também sejam superativas. 
Ainda assim é quase sempre o homem que toma as iniciativas e vai à procura da mulher que será a mãe dos seus filhos. A mulher tanto quando o homem acalenta sonhos parecidos: constituir família é o mais natural deles. Ter casa própria, conforto e segurança são sonhos também naturais a todo ser humano. 

Este homem sai então movido por uma esperança e um sonho. Enfrentando seus próprios mitos e fobias, quase sempre encontra uma mulher que preenche totalmente ou mais ou menos as suas expectativas e com ela se casa.
Com a mulher também, cedo ou tarde, aparece o “príncipe encantado” para salvá-la do tédio de uma vida sem perspectivas. Ele também nem sempre preenche todas as expectativas, mas nada que o tempo e a convivência não possam suprir. 

A mulher, quase sempre mais articulada, cedo ou tarde domina o pobre homem com seus encantos dando-lhe os filhos e a convivência familiar tão importante a todo ser humano. Mas só isso não basta, e a casa própria? ...e o carro do ano?... E a casa na praia? O guarulhense poderia fica nisso, os filhos crescendo, ele pagando o aluguel etc.. Mas isto não é o suficiente e ele parte de novo em busca de seus outros sonhos para satisfazer a si e aos seus filhos. Enfrenta, agora, desafios radicais, muda de emprego várias vezes, enfrentando perigos e a realidade hostil. Depois de muito penar e contando com a ajuda da sorte, do acaso e da boa administração, o guarulhense consegue se realizar também materialmente e pode viver agora uma nova realidade com mais esperança de progresso para si, para os filhos e futuros netos. 

Tudo conseguido com a inteligência que Deus deu a cada ser humano, um pouco de sorte, o suor do seu rosto e a competência dos governantes. 

Parabéns Guarulhos. É preciso acreditar no papel social e politicamente transformador da esperança e do sonho.

   

ARI CARLOS DA ROCHA é Sociólogo, pela USP, Professor e Ecologista em Guarulhos.

Saiba mais sobre este autor, no site www.leguarulhos.com.br

 

(O texto publicado neste espaço é de responsabilidade e direito de seu autor e não precisa, exatamente, refletir a opinião deste site.)

Comentários


Sou Guarulhense, nascido no bairro da Ponte Grande e discordo de quase tudo que foi escrito e sinto no artigo uma falta de sintonia com a realidade e um preconceito descabido que coloca todos os guarulhenses como pessoas sem objetivos maiores e ainda com comportamentos inadequados, segundo o escritor. Sinto registrar que achei a matéria de gosto duvidoso, pois o autor se diz guarulhense e coloca na vala comum mesmo os idealistas que fizeram desta cidade um pedaço de chão respeitado por muitos. Infelizmente contamos com pessoas parecidas com o perfil traçado, porém tenho conhecimento de uma parte considerável dos que aqui nasceram ou mesmo residem, que portam valores e ideais muito além do relatado. Aqui nasci e tenho 69 anos. Vi a cidade sair de uma discriminação para a pujança que hoje é. Sei de muitas mazelas mas também de muitos propósitos verdadeiros que norteiam pessoas de valor que fazem desta cidade a sua casa e de sua família. Embora discordando respeito o autor e mando-lhe minhas saudações guarulhenses. 

01-mar-2011, 19:22 h

Clovis Domingues 

cd.vivafeliz@terra.com.br 


Resposta ao comentário:

Cabe um data-vênia neste caso?  Assim...é uma honra receber critica tão bem fundamentada de um intelectual renomado como é o caso do meu dileto Irmão e acadêmico Clovis Domingues.  Irmão, Sua palavra é lei para todos nós escritores guarulhenses. Obrigado! 

02-mar-2011, 9:55 h

Ari Carlos da Rocha

arirocha33@gmail.com


Olá,... avante que o Senhor garante.  Agradeço os envios, penso ser uma das formas de refletirmos os valores de cada um. Quando nos submetemos ao elogio ou crítica estamos no caminho certo, pois todos estamos a caminho e o aprendizado é permanente. Nunca devemos confundir o lado pessoal precioso de cada um com as ideias e os ideais.  No respeito mútuo todos cresceremos. Agradeço pela atenção e pelo empenho.

02-mar-2011, 10:31 h

Clovis Domingues 

cd.vivafeliz@terra.com.br