Junho é o mês da Ecologia

Ari Carlos da Rocha


07.06.2011   

Em 5 de junho comemorou-se o dia mundial do meio ambiente. Assim, chegamos a mais um mês dedicado à Ecologia, ou seja, à arte de viver bem em comunidade, considerando o planeta como a casa de todos nós. A semana nos lembra que não se chega a uma sociedade ecologicamente funcional de repente. Vários passos são exigidos para que isso aconteça.

O ser humano não é naturalmente ecológico, a luta pela subsistência nos faz instintivamente egoístas. A cultura ambiental é que tem que tornar a sociedade cada dia mais ecológica e responsável. Não podemos pensar e radicalizar o discurso ecológico sem levar em conta a natureza humana.

De que vale um meio ambiente equilibrado se o povo está infeliz? Não se pode colocar o ser humano nesta grande máquina de transformar pessoas em seres desprovidos de individualidade. Deve-se questionar e reciclar ideias, preservando pessoas. Suas espiritualidades, cultura, referências familiares e chances de progredir na vida. Cometem assim ato-falho os que dizem que tudo precisa ser reciclado.

Ecologia é em princípio respeito ao ser humano em sua integridade. Promovendo-lhes a chance de conhecer ideias novas e outras culturas, fazendo-os cidadãos do mundo, articulados com as mais avançadas ideias de superação dos problemas ambientais e sociais.

Não é só o aquecimento global que nos ameaça, mas também a crise econômica, da segurança pública, da má qualidade do ensino; aliás, todos esses são pontos importantes na questão ecológica.

Ecologia é a consciência da realidade em sua dinâmica integrada. A origem da violência doméstica, por exemplo, está também na falta de vivência cultural e consequente reciclagem de ideias dos componentes da família, em sua formação, na escola básica, onde não se ensinou o respeito às diferenças, a mulher também não aprendeu a se ver enquanto cidadã de mesmos direitos.

Aliás, esta ideia nunca chegou à sua reflexão, para que fosse transformada e reciclada. Porém, o que significa reciclar ideias? Desde que entramos em contato com a mídia, recebemos e interpretamos ideias às vezes de forma totalmente equivocada, e não empregamos o senso crítico para transformar e reciclar essas ideias. A perplexidade pelo acúmulo de informações é tanta que nos deixa desnorteados e apáticos.

Posicione-se e faça valer o seu posicionamento. Vá aos partidos, aos sindicatos à associação de classe. Ajude a despertar as outras pessoas para as questões ecológicas, cultue a sua espiritualidade, não se torne um ateu desnaturado. A dimensão espiritual valoriza as pessoas separando-as das coisas. Busque seu espaço nas artes, na profissão, no esporte. As ideologias não estão falidas.

Busque o seu lugar em um mundo que tem lugar para todos. De nada adianta tanta teoria apreendida e tantos livros lidos se não colocarmos em prática aquilo em que viemos a acreditar. Posicione-se em relação à violência urbana, À falta de propostas para a juventude. Sensibilize-se com a questão dos moradores de rua, forme grupos que possam arregaçar as mangas e ajudar de alguma forma.

Cobre soluções dos governantes. Você paga impostos para que os menos favorecidos possam receber do poder público eleito, a assistência social devida a seres humanos. Não se furte a criticar o sistema de saúde porque você não o utiliza.

O pensamento ecológico é um sistema de vasos comunicantes onde as coisas estão sempre se influenciando mutuamente. O respeito às minorias e à cidadania feminina no combate à discriminação machista acabam trazendo à sociedade uma dimensão nova em defesa dos mais fracos. O qual, vai aos poucos beneficiando a sociedade e dando sentido e direção ao seu desenvolvimento, levando-a a cultuar no pacifismo a solução negociada de todas as demandas.

Comece agora a construir a sua base de decolagem para o pensamento ecológico que passa a dar significado à nossa própria cidadania.

Se a base está bem estruturada, o edifício social e a própria história individual tendem a se desenvolver de forma cada vez mais satisfatória.

   

ARI CARLOS DA ROCHA é Sociólogo, pela USP, Professor e Ecologista em Guarulhos.

Saiba mais sobre este autor, no site www.leguarulhos.com.br

 

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