Artigo

Desastre na Educação

(*O texto a seguir foi publicado na seção "Fórum dos Leitores", no site do jornal O Estado de São Paulo, em 16.02.2012, como comentário sobre artigo com título homônimo, na seção "Notas & Informações" do mesmo jornal, de 09.02.2012.)

Os que poderiam melhorar a conjuntura da educação no país, mas não mexem uma palha, ou um neurônio perdido, para isso, no mínimo, também têm déficits de educação.

As mazelas são muitas, salário baixo do professor, do diretor e dos funcionários da escola, local sem segurança, merenda ruim, nível baixo de ensino, progressão continuada, menos oferta do que demanda, mas quero falar um pouco só de uma delas:

Sob o pretexto de que o aluno repetente aumenta o custo de seu aprendizado proporcionalmente a cada ano que repete, criou-se a progressão continuada, para essa economia.

O § 2º, do artigo 32, da Lei nº 9.394/96, que trata da educação no país, diz que "Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino". (grifo deste autor)

Ou seja, os responsáveis pela educação em cada estado podem, e não "devem" aplicar a progressão continuada.  E desde que sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem.

Na Deliberação CEE nº 09/97, do Conselho Estadual de Educação - SP, o conteúdo aponta para um plano perfeito em favor da progressão continuada, mas, na prática, a forma e o conteúdo do ensino têm contribuído, isso sim, para a composição de um batalhão de jovens candidatos a analfabetos funcionais; em prejuízo ao desenvolvimento do país e ao pleno exercício da cidadania em nossa sociedade. 

O que custa mais?  A economia em progredir de série quem não está apto ou a absorção da incompetência de tanta gente em nossa sociedade?

Quem adotou esse caminho não enxergou o depois, mesmo com toda sua obviedade; tanto que, na ocasião dessa escolha, não faltaram opiniões e manifestações que apontaram a funesta consequência, já no curto prazo, porém ainda mais contraproducente no longo prazo.

Como não se consegue evitar, em parte dos alunos, a necessidade de repetência, não se pode relevar o fato de que repetir é salutar para o aprimoramento do indivíduo frente à aquisição de sólidos conhecimentos e habilidades.

É preciso repetir, repetir, repetir esse tipo de mensagem até que os detentores do poder parem com a progressão continuada e retornem para avançar com a progressão por mérito e por real capacidade. 

J.R.Jerônimo, 26.02.2012.